Saímos de SP no dia 22/07 no voo da Delta via Atlanta. Nos EUA perdemos a conexão, pois a fila da imigração estava imensa, e como chegamos bem cedo pela manhã, havia poucos atendentes naquela hora. Nós estávamos no meio da fila, estávamos lá apenas os passageiros do voo da Delta. Mas por algum motivo fomos os últimos a serem atendidos. Murphy pode explicar isso.
Na fila conversamos bastante com uma assistente brasileira em português, quem nos perguntou o que faríamos nos EUA. Dissemos que seria apenas uma escala, pois seguiríamos viagem para o Canadá. Ela ficou bem interessada no assunto, pois o marido trabalha no setor de óleo e gás e tem interesse em migrar para estes lados.
A fila andou, nos despedimos da assistente e seguimos para o guichê. O atendente era descendente de latino, pudemos constatar pelos traços físicos e pelo sobrenome. Ele foi muito simpático, até brincou com o Luiz, achando que ele era muito parecido com o supervisor deles 😄.
Carimbo no passaporte e saímos correndo para ver se dava tempo de pegar o voo. Pegamos um trem para chegar no outro terminal. Voamos até o portão com as nossas 1749 coisas na mão entre casacos, bolsas e malas. Mas é claro que não conseguimos entrar no avião, o embarque já havia sido encerrado e o avião estava em processo de decolagem.
Mas tudo se dá por algum motivo. Vou explicar o porquê.
Fomos ao guichê para alterar nosso voo para o próximo e felizmente o próximo voo para Montreal era em 3 horas. Ouvimos histórias de pessoas que pegaram voos do Brasil para o Canadá em outras companhias e que perderam a conexão. Elas tiveram que esperar por alguns dias para pegar o próximo voo.
Tivemos tempo de comer, ir ao banheiro e porque não, acessar a internet. Nisso falamos com a querida Naide pelo messenger. Eu a vi apenas uma vez num piquenique em fevereiro, pouco antes dela partir para o Canadá. Ela me perguntou quando chegávamos. Eu comentei que dentro de algumas horas, pois já estávamos em conexão. Aí ela nos perguntou se tínhamos alguém para transportar nossas coisas, eu disse que não e que pegaríamos um táxi na hora lá no aeroporto. Ela foi atrás de um contato dela e acertou tudo. Além do mais ela nos disse que iria nos esperar no aeroporto. Não é um amor de pessoa?
Pegamos o voo da Delta num Bombardier pequeno, dormimos durante a viagem inteira de 3 horas. Estávamos mortos da viagem SP/Atlanta e também do estresse dos últimos dias em SP.
Chegamos em Montreal, passamos pela imigração e ouvimos o primeiro "Welcome to Canada". Ai, que emocionante!
Fomos buscar nossas malas, a laranja um pouco rasgada, a sacola verde completamente rasgada e as caixas destruídas. Nem pensamos em reclamar sobre isso. Nossa preocupação estava em achar a mala cinza que tinha as roupas do Luiz. Aguardamos um tempo e chegamos à conclusão de ela não veio no nosso voo. Fomos atrás de um funcionário da Delta, preenchemos um formulário e nos informaram que a mala ainda estava em Atlanta e que ela chegaria no voo do fim da noite. A mala seria entregue no dia seguinte no endereço onde ficaríamos nos primeiros dias em Montreal.
Daí fomos fazer o landing. Aquele terror do landing que ouvi de outras pessoas não bem foi assim conosco. Entregamos nossos passaportes e a confirmação de RP. Aguardamos no mesmo local junto com outros imigrantes recém chegados.
E a Naide? Como falar com ela se não tínhamos telefone? Peguei o wifi do aeroporto, conectei no Skype e liguei para ela para explicar a situação. Ela disse que ficaria do lado de fora nos aguardando. Ela é realmente um ser iluminado!
Fomos chamados, nos perguntaram quanto $ tínhamos conosco, tanto em cash quanto em nossas contas. Em momento algum precisamos mostrar nosso dinheiro ou algum comprovante de quanto tínhamos. Muito tranquilo. Nos perguntaram o valor dos nossos itens nas malas. Não tínhamos a menor ideia e chutamos um valor, rs. Nos perguntaram o endereço em que ficaríamos hospedados. Como nossa hospedagem era apenas para os 10 próximos dias, passamos o endereço da Naide. O atendente mesmo nos comentou de que se estivéssemos em uma residência temporária seria melhor passar o endereço de um conhecido. E foi isso o que fizemos.
Carimbo na confirmação de RP, alguns novos documentos em mãos e nos encaminharam para uma outra salinha. Pegamos a senha e na sequência fomos chamados. Nessa sala uma atendente nos deu as instruções sobre os primeiros passos que deveríamos dar aqui, um livro de boas vindas ao Canadá e dois mapas, um do metrô e outro da cidade. Mais uma vez "Welcome to Canada".
Saímos de lá e fomos atrás da Naide. Ela pacientemente nos aguardava junto com o Domicio. O dia estava quente e úmido, tinha acabado de chover. Colocamos tudo na van dele e lá fomos nós procurar nosso lar temporário. Foi difícil achar o lugar mesmo com o waze ligado, mas chegamos.
O loft ficava muito perto da estação Sauvé, e era muito bem decorado. Tivemos um perrengue na hora de entrar na casa, não tinha chave e sim uma senha para abrir a porta. E eu não tinha a senha! O Domicio nos ajudou e ligou para a Line (a dona do loft) e foi um pouco chato pois ela estava no velório do pai. Enfim, abrimos a porta e carregamos todas as nossas coisas até o loft. Tivemos que subir uma escada para levar tudo. Ufa!
Pegamos o contato do Domicio, nos despedimos e caímos na cama. Descansamos até o dia seguinte.
No dia seguinte eu tinha horário marcado pela manhã no Desjardins para abrir a conta. O Luiz não pôde ir comigo, alguém tinha que ficar para receber a mala. É como iríamos nos comunicar? Ambos sem telefone e não tínhamos a senha do wifi do loft.
Levei meu iPad e contei com a sorte para achar um hotspot. Fui sozinha ao banco perto do Metrô Berri-UQAM, apresentei meus documentos, fui muito bem atendida. A atendente, também imigrante, me explicou os detalhes da conta, pediu para eu assinar alguns formulários e me entregou o meu cartão de débito. Só ficou faltando eu entregar para eles o meu número SIN. Voilà! Minha conta estava aberta, mas eu não pude usá-la até o dia 01/08. É que como não vão nos cobrar tarifas bancárias durante um ano por sermos imigrantes recém chegados, ela programou para esse desconto contar a partir de agosto. Ou seja, não pude mexer em nada na conta, senão pagaria altas taxas. Tudo bem, foram poucos dias. Ao término da reunião ouvi outro "Welcome to Canada". Quanto amor!
Lá fui eu atrás de um hotspot, achei no Square Phillips. Vi que tinha mensagem do Luiz avisando que a mala tinha chegado e que ele iria atrás de um supermercado para comprar o básico de alimentos para nós. Ele achou o wifi num café perto de onde estávamos hospedados, mas não estava mais online quando li o recado dele.
Daí falei pelo messenger com a Naide para saber qual operadora de celular seria interessante eu contratar. Ela me aconselhou a Fido e me avisou para ter um cartão de crédito válido e de que provavelmente me solicitariam o meu SIN (por eu não ter histórico de crédito) pois eles precisariam disso para ativar a linha. Lembrei que esqueci de solicitar a liberação do uso dos meus cartões no exterior! Droga.
Fiquei na praça esperando contato do Luiz enquanto eu procurava na internet como ligar a cobrar para o Brasil além do endereço do Service Canada.
Telefone da Embratel direto e endereço do SC achados, mas ainda sem resposta do Luiz 😔.
Resolvi ir ao Service Canada para tirar o meu SIN. Pensei que poderia conseguir outro hotspot por lá. No caminho fui tentando usar os orelhões para fazer a ligação a cobrar. Não só em SP eles não funcionam, em MTL tb.
Lá foi muito rápido o atendimento. Apesar de que a fila era grande, a espera não foi longa. A atendente me pediu o passaporte, a confirmação de RP, um número de telefone e um endereço. Expliquei a ela que não tinha telefone ainda e perguntei se poderia passar o telefone de uma conhecida e também o endereço dela, pois minha residência era temporária. Não tive problema, apenas ela me indicou que assim que eu tivesse telefone e um endereço próprio eu deveria fazer a alteração. Tudo pela internet, sem comprovante de residência nem burocracia.
Na saída vi uns telefones no Service Canada. Perguntei se poderia usá-los para uma ligação a cobrar para o exterior, pois eu não tinha celular e não tinha achado orelhão funcionando. A moça não gostou muito mas abriu uma exceção. Deixou eu usar o telefone. Fiquei bem envergonhada, mas já que ela autorizou, aproveitei e liguei. Foi rápida a liberação dos cartões com o hsbc, menos mal.
Sai de lá e fui atrás de uma loja Fido. Eu tinha carregado os endereços no iPad. Mas o que me aconteceu eu não sei explicar. Eu fui em dois dos endereços e não vi a loja ou o quiosque da Fido. Fui pelo meu instinto andando pela Saint-Catherine sentido Guy-Concordia, a região que eu conhecia bem naquele momento. No caminho achei uma loja da Fido! Ahhh, que alívio!
Entrei na loja e de cara um atendente me abordou. Ele foi simpático e me atendeu em inglês. Meu francês estava bem ruinzinho para arriscar contratar um serviço de 2 anos de fidelidade. Ele me explicou os planos disponíveis e resolvi entrar num pós pago. Escolhi meu aparelho, não precisei pagar pela ativação da linha nem pelo sim card. Depois pedi uma segunda linha pré paga para o Luiz. O Luiz ficaria somente por 20 dias aqui, portanto não havia necessidade de contratar um serviço pós pago. Entendi que realmente não vale a pena contratar um serviço pré pago aqui. Nesses planos e mesmo em alguns planos pós pagos paga-se pelas chamadas recebidas. Isso mesmo, pelas chamadas recebidas.
O atendente me convenceu a optar pelo plano pós pago mais simples sem fidelidade, ou seja, depois de 20 dias poderíamos cancelar a linha do Luiz. Mesmo assim, o Luiz tinha minutos limitados para fazer e receber chamadas. Isso de limitar ou pagar pelas chamadas recebidas achei um pouco bizarro. O meu plano tem chamadas ilimitadas para todo o Canadá e os EUA, tanto para receber quanto para ligar. Pelo menos fico mais tranqüila assim.
De lá voltei para casa. Não encontrei o Luiz. Ele chegou e entreguei o sim Card dele. Ele já tinha o aparelho do Brasil, eu não. Eu vendi o meu 4S para a Pamela no Brasil sabendo que aqui o aparelho sairia mais em conta. O Luiz ainda não vendeu o dele pois não valeria a pena ele entrar num contrato de fidelidade sendo que ele ficaria alguns meses fora do Canadá.
No dia seguinte fomos comprar um Opus Card. Já tínhamos um que eu comprei quando eu vim em 2009. Mas por algum motivo ele não servia mais é só depois fui descobrir o porquê. Os cartões têm validade de 4 anos, depois é necessário trocá-los. Compramos 2 cartões e entramos no metrô. Fui com o Luiz ao Service Canada para ele tirar o SIN dele. Depois fomos ao Desjardins para abrir conta conjunta e entregar o meu número SIN que estava faltando.
Começamos com a busca por um lugar para morar. Eu tenho um leve trauma de Tilburg quando me vi sem lugar pra morar. A cidade era minúscula, poucos lugares para alugar e além de que o fato de ser estrangeira pesa na decisão do locatário alugar ou não o local para você.
Tínhamos 10 dias para completar a missão de achar um lugar para morar. Visitamos o prédio do Rafael, um colega que conhecemos num café da manhã em SP. Ele mora entre o metrô Sauvé e o Henri Bourassa. O preço era bom, mas achamos o lugar um pouco distante e um pouco parado. É que chegar de uma cidade movimentada como SP e tendo morado quase a vida inteira em bairros cêntricos com muitas opções de lojas, restaurantes e supermercados por perto para ir num lugar mais quieto talvez não seria conveniente. Pode ser que isso ocorra quando estivermos mais acostumados com a calmaria ou com outros planos.
Não fomos tirar nosso assurance maladie pois precisaríamos de um endereço próprio em que nossos nomes constassem nele. Ou seja, não dava para passar o endereço de um amigo.
É assim seguiram os últimos dias de julho, entre ligações e visitas a apartamentos de todo tipo e preço. Vimos muito muquifo por aí. Por algum motivo os apartamentos são bem sujos. Aqui não há o costume de manter a casa limpa como no Brasil.
Outro perrengue foi a falta de histórico de crédito e referências. O que fazer? Embora não seja recomendada a prática de pagar aluguel antecipado, os novos imigrantes acabam fazendo isso para garantir um lar. Pensamos em fazer isso também.
Nosso dia de sair do loft estava chegando e tínhamos apenas uma opção de apto que gostamos perto do Metrô Jean Talon, na mesma rua onde ficava o loft. Aí que eu fui entender uma coisa. As ruas aqui atravessam a cidade inteira!
Esse apê não era mobiliado e teríamos que ir atrás dos móveis.
Até que, numa pesquisa no logement Montreal, vejo um anúncio de um 3 1/2 mobiliado com tudo incluso. Tudo incluso nesse anúncio quis dizer eletricidade, água quente, aquecimento, lavadora e secadora de roupas no apê (e não numa sala separada fora dele), internet e móveis. O preço estava acessível e o anúncio tinha acabado de ser colocado no ar. Liguei na hora e marquei um encontro logo cedo no dia seguinte.
Fomos com o Luiz até o local e amamos! O Julio que estava sublocando o apê dele nos mostrou o imóvel e nos explicou o porquê ele estava alugando. Perguntamos sobre a forma de pagamento e ele nos disse que seria em cheque, pois ele passaria esse período fora do Canadá. A única ressalva, ele prefere que o pagamento do mês do aluguel seja antecipado. Até aí tudo bem. Saímos de lá para visitar mais um apê no centro. Horrível, sujo e com uma vizinhança um pouco estranha. Não pensamos duas vezes, ligamos para o Julio para fechar o aluguel. Marcamos um encontro no dia seguinte, assinamos o bail por 8 meses. Finalmente um lar! Mesmo que seja temporário! Muita felicidade naquele momento.
Perguntamos ao Julio se poderíamos ir levando aos poucos nossas coisas antes do início do contrato. O apê não estava sendo usado por ele, portanto ele topou numa boa. Fizemos nossa mudança entre a tarde do dia 31/07 e a manhã do dia 01/07. Ficamos com as costas destruídas. Moramos no alto de um dúplex, então carregar malas do térreo até o apê foi um pouco pesado.
E ainda tem mais, o Julio, mexicano gente boníssima, nos disse que se ao fim do contrato nós não tivermos achado um apê pra morar, que poderíamos ficar até julho. Esse seria nosso prazo final. Ele poderia ficar morando na casa de um amigo enquanto isso. É muita gentileza!
Dia 31/07 pela manhã fomos dar entrada no assurance maladie já com o bail em mãos. Pensamos que poderiam nos negar esse comprovante de residência. Esse documento chamado bail é comprado em qualquer dépanneur e pode ser preenchido por qualquer um. Será que precisaríamos autenticar a firma? Ou apresentar algo mais além do bail? Fizemos tanta tempestade em nossas cabeças brasileiras acostumadas à burocracia, mas nada disso foi necessário. A atendente aceitou o documento preenchido a mão pelo Julio numa boa. E pronto! Mais um documento tirado. A única ressalva é que há uma carência de 3 meses para podermos usufruir da saúde pública quebecoise.
O Luiz tinha o seguro saúde do cartão dele. Eu liguei novamente no hsbc para ter certeza do que tinham me dito no Brasil de que eu teria o seguro e se acontecesse alguma coisa era só usar o cartão para depois eu ser ressarcida.
A atendente me disse que não, pois o seguro serve apenas para os cartões platinum e não para os premier. Cada um diz uma coisa, então resolvi ligar mais uma vez para ter a 3ª opinião. O terceiro atendente confirmou que apenas clientes platinum têm direito ao seguro.
Confirmada a informação, fui atrás de um seguro particular para o período de agosto a setembro, pois em outubro o assurance maladie já entraria em vigor. Contratei pela agência Hi Bonjour, e felizmente não precisei usar o serviço do seguro durante a minha carência do assurance maladie. Prefiro precaver do que depois lamentar.
O que eu mais achei legal nos primeiros dias foi o fato de diversas pessoas nos falarem "Welcome to Canada". Na imigração, no landing, a Naide e o Domicio, a Line, a atendente do Desjardins, a atendente do Service Canadá, o atendente da Fido, o Julio, a atendente do assurance maladie, nos cursos de integração, no curso de empregabilidade, o cara que vendeu as bikes para a gente, no curso da comissão escolar, o atendente da Source, a Aline (brasileira fofíssima que conheci aqui). Foi tanta gente que acho que acabei não mencionando outras que ficaram de fora.
E foram assim os primeiros dias em Montreal.

